Relacionamento

“Para se relacionar de maneira saudável com alguém, é necessário estabelecer, antes, uma relação plena e feliz consigo mesmo”.

Monge budista Yasukiko

Essa é a base da equação do relacionamento e da matemática, onde UM + UM é igual a DOIS. Quando iniciamos uma relação com outra pessoa temos, quase imediatamente, uma necessidade de achar pontos em comum, de fundir o nosso ser ao outro ser e assim formar uma unidade perfeita e harmônica, que chamamos de “ilusão da completude”.

Mas ao tentarmos isso, sempre haverá uma pessoa que ficará subjugada pelo outro. O que isso significa? Que alguém terá que ceder mais que o outro e ficará a mercê das necessidades e vontades alheia. Pode parecer bobagem, mas com o tempo, esse sintoma desenvolve transtornos bem complexos, como a dependência emocional ou baixa autoestima.

Não é raro mulheres que se separaram recentemente, apresentarem sintomas de baixa autoestima e relatarem desconhecer suas vontades ou mesmo sonhos. Isso sempre me lembra um filme da Julia Roberts, em que ela ficava pulando de relacionamento em relacionamento, sempre se fundindo ao parceiro. Quando ela resolve ficar um tempo sozinha, um amigo pergunta: que tipo de preparação de ovo você gosta? Então, ela se dá conta que em cada relacionamento ela gostava de um tipo diferente, em função do namorado. Para desvendar esse mistério, ela começa a preparar todos os tipos de ovos (pochê, frito, omelete, etc.), para descobrir o SEU gosto. Esse é o sintoma da ilusão da completude, onde você esquece quem é para se tornar um reflexo do relacionamento.

Então qual o segredo? É buscar o que chamamos na psicologia de “diferenciação”. Entender que um casal feliz não é “uma coisa só”, são dois seres humanos com suas vontades, princípios, valores e desejos, que se juntam para buscar algo melhor.

A diferenciação busca um equilíbrio entre conexão (se sentir ligado ao outro) e a autonomia (ter amor próprio), e para isso ocorrer, o primeiro passo é estabelecer as fronteiras do relacionamento. Compreender onde termina meu espaço e começa o espaço do outro.

Por exemplo, eu gosto de em alguns momentos ficar sozinha, para repor as energias, pensar ou mesmo para esvaziar a mente. Meu namorido sabe disso, então, sempre que possível ele me dá esse espaço, sem ficar inseguro, achando que estou excluindo-o da minha vida, porque quero um momento só meu. Isso é saber o limite de cada um.

Você sabe qual o seu limite? E o limite do seu parceiro?

Alguns podem confundir diferenciação com individualismo, mas está errado. Ser individualista é ficar à margem dos outros, ser diferenciado é ficar mais perto e mais distinto, e não mais distante.

Um exercício muito simples que você pode começar agora, é pegar uma folha e listar coisas que você deixou de fazer desde que começou seu relacionamento, e ao lado escrever o motivo. Depois, busque compreender se alguma dessas atividades seria importante retomar, se a resposta for sim, converse com seu parceiro sobre isso. Busque explicar a importância de fazer essas atividades, pois assim você estará caminhando para uma relação saudável e duradoura.

E para finalizar, deixo uma passagem do livro Comprometida, da Elisabeth Gilbert:

“C.S Lewis definiu tão bem quando escreveu sobre a esposa: – Ambos sabíamos que eu tinha os meus sofrimentos, não os dela; ela tinha os dela, não os meus. Um mais um, em outras palavras, às vezes deve dar dois.” Livro Comprometida – Elisabeth Gilbert

 ju emer

 

 


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